sábado, 14 de fevereiro de 2015
VOCÊ
Você que aos olhos me rendo
Vejo-me neles um brilho sedutor
Vejo-me neles reflexos de amor...
Tremo, mergulho, temo...
Medo de cair em profunda tentação.
Você que nada precisa dizer...
Proferir aquela palavra em verso
Descrevendo incertezas certas
Flexando punhais cortantes
De um relance já delirante.
Você que em lábios não beija
Mas me diz segredos
Pensamentos febris feito lampejos
Alucinantes e em talta tensão
Perdidos, apaixonantes e silenciosos.
Você que misteriosamente imóvel
Toca-me em todos os tons
Cores de troca de olhares
Fervilhando tudo que refere-se
A um possível amor e sedução.
Clécia Santos
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015
MINHA CANÇÃO DE EXÍLIO
Minha casa não tem palmeiras
Mas há canteiros de rotina
Entre muretas e cercas elétricas
De centuriões em sentinelas
Anjos invisíveis talvez!
Minha vida se encontra assim
Entre o medo e o sobressalto
Beirando fatos de violência
Onde só pedindo clemência
Talvez aja uma solução!
Minha cidade se fecha cada dia
Entre murais, vidraças e grades
Na ilusão de que estamos guardados
Nessa versão de falta de segurança
E aja aja nesses dias esperança!
Tenho vontade de voltar
Aos tempos de criança
Que nem muito longe está
Apenas para dar minhas saídas
Deste caos à beira mar!
Como toda a canção de exílio
Peço licença e não vou me estender
Vou repetir mais uma vez
Chega! Chega! Queremos liberdade!
Sair das prisões domiciliares!
Clécia Santos
BAZAR
Nos arredores, o silêncio grita
Pulsa coisas remotas
De gavetas que expõem intimidade.
Sem receio, revirei peças por peças
Procurei algo adormecido,
Enfim nada foi encontrado...
Pleno estado de mofo.
Belezas remotas pelo tempo
Manjadas, empoeiradas,
Algo de brilho roto, sem idade.
Descartei coisas por coisas
Procurei algo envaidecido
Enfim de cores ou enfeitado
Simples reviver de reviravoltas.
Clécia Santos
Sem receio, revirei peças por peças
Procurei algo adormecido,
Enfim nada foi encontrado...
Pleno estado de mofo.
Belezas remotas pelo tempo
Manjadas, empoeiradas,
Algo de brilho roto, sem idade.
Descartei coisas por coisas
Procurei algo envaidecido
Enfim de cores ou enfeitado
Simples reviver de reviravoltas.
Clécia Santos
LUGAR PARA SONHAR
Poderia abrir portas de castelos
Construir redemoinhos de perfeições
Voar, fluir, emergir...
Transbordar riachos, rios, mares,
Ser um ser pequeno ou invisível.
Sonhar! Sim! Só nos sonhos...
Podemos tudo e nada
É monstruoso o impossível
Dos sonhos. Sem forma
Sem lugares definidos...
Sonhar pode ser uma das memórias
Mais vivas do existir,
Não existir, existindo...
Lugar divino e pessoal de sortilégios.
Clécia Santos
VOU ALI SER FELIZ E VOLTO JÁ
É nos sonhos que a liberdade
Não tem qualquer vergonha
Nem tem qualquer idade...
Livre, nosso corpo incorpora
Todo o direito de ser feliz.
É nos sonhos que a felicidade
Não tem qualquer vergonha
Nem tem qualquer idade...
Livre, nosso corpo incorpora
Todo o direito de ser feliz.
É nos sonhos que a felicidade
Se encontra em cada curva
Sem elos, sem paranoia...
Livre, nosso corpo é anjo
Cai nos braços de Orfeu.
Mas quem é Orfeu, gente?
Seria outro anjo à espera da madrugada?
Ou um Deus da mitologia grega?
Sendo Orfeu, que importa?
É nos sonhos que alguém me espera
Sendo sorrisos e encantos poéticos
De cantos e canções longínquas
De vozes que se encontram leves
De sussurros, novos gracejos.
No sonhar, a ilusão não existe
Pois ele próprio já é irreal
Pomposo ou não, iluminado ou não
Sonhos são inerentes de cada um.
Sendo assim, vou ali ser feliz...
Clécia Santos
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015
CARNAVAL DOS SONHOS
Estive todo tempo mascarada
Num banquete de sonhos venezianos
Depois das delícias, pé na estrada
Por ruelas, pontes, sem rumos.
Nada era real! Nem a música!
Significado de sonhos proibidos...
Só o perfume me inebriou, ainda
Do despertar do sapatinho perdido.
Deixei lá nas gôndolas, meu amado
Perdido, beijado, desesperado...
Quando? Quando voltarei? Saudade!
Deixei em sonhos, carnaval veneziano
As máscaras, o meu amor verdadeiro
O perfume e sapatinho, Restou saudade!
Clécia Santos
Num banquete de sonhos venezianos
Depois das delícias, pé na estrada
Por ruelas, pontes, sem rumos.
Nada era real! Nem a música!
Significado de sonhos proibidos...
Só o perfume me inebriou, ainda
Do despertar do sapatinho perdido.
Deixei lá nas gôndolas, meu amado
Perdido, beijado, desesperado...
Quando? Quando voltarei? Saudade!
Deixei em sonhos, carnaval veneziano
As máscaras, o meu amor verdadeiro
O perfume e sapatinho, Restou saudade!
Clécia Santos
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