sábado, 7 de fevereiro de 2015

MÁSCARAS



Não se observa o olhar
Almas ou corpos.
Há amontoados de ferros
Contorcidos e retorcidos,
Amassados e amordaçando
Lábios, lágrimas, labirintos.
Sentimentos risonhos e feridos
Num mesmo ritmo,
Num mesmo salão,
Num mesmo carnaval. 
E ferve, ferve...

Clécia Santos

ENTARDECER




Cabe dentro de meus olhos
Tudo! Quando o sol se vai...
Um mar de saudade me abraça
Um romper de ondas se enfurece
Uma vontade louca de ter você...
Mesmo em silêncio e incógnito
Para preencher meu abraço.
Meu entardecer é brilho de seu sorriso...
É um pouco dessa despedida...
Que o sol nos brinda...
Que ocorre incansavelmente.
Só sei que meu pensamento...
Entardece em você! 

Clécia Santos

GOSTO DE MENTA


Estou aqui nas minhas bolições mentais
Num parapeito florido
Criando medos e abrigos absurdos
Que o frio me desnuda
Quarto adentro...
Estou aqui nas reviradas de pensamentos
Pelejando minha alma
Para parar de me consumir
Desse frio agridoce...
Estou aqui rosa gosto de menta
Nem vento, nem rude
Apenas ao léu
Plenitude lenta
Das canções do tempo.


Clécia Santos

SOLIDÃO, RIMA E VERSO



Não sei! Porque a vida mudou...
Tropeçou entre o sorriso e lágrima
Não sei! Porque reiniciar é dor...
Sem verso e nem rima.

Hoje sem poesia, o quê sou?
Se nada é paraíso. É irmã...
Do sofrer e desespero. Restou...
Goste de ausência e lágrima.

Eu e a lua somos únicas no universo
Ela fria, indiferente, solidão
Eu lágrima, quente, fases e solidão.

Nostálgica, nem percebo em verso
Eu e a lua somos sombras da solidão
Pois até ela, eximiu a própria solidão!

CléciaSantos

NOS TEMPOS DE MENINICE



Quando chegavam as férias
Nem mesmo amadurecia...
Nossas malas, já fazíamos
E rumávamos pro sertão de Caicó.
Ainda lembro de vovô, tios,
Tias, primos, primas, agregados...
Até curiosos se achegavam.
Aquele cheirinho de terra batida
A bicharada, o ar quente e puro.
Tudo, tudo era prosa!
Lembranças que não voltam...
Estão acesas apenas na memória.
Nos tempos de meninice
Lá em algum espaço de Caicó!

Clécia Santos

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

MADRUGADA



Ânsia, náuseas
Nostalgia, reviravoltas
Insônia, inquietação. 
É madrugada e o sono?
Ele não chega
Não bate a porta
Se esvazia
Em brancas nuvens
Silencia, como o que me envolve
Transcende e se desfigura...
E eu aqui totalmente 
Em estado de alerta.
Não! Quero excluir essa madrugada!


Clécia Santos

REINICIAR




Fazer de obstáculos uma canção
Recomeçar instantes de consciência
Num frenético carrocel de emoção
Num constante pensar de resistência.


Onde do alto, resignificância
Brilhar de forma coletiva...
Estando no controle a resiliência
Observar, antes da tentativa.

A vida é assim, vai e vem
De altos e baixos, ação!
Labirintos de pura emoção.

Mas a vida é mesmo assim
Um dia duro, outro leve. Canção!
A cândida câmera de rotação.

Clécia Santos

Obs: "Recomeça se puderes sem angústia e nem pressa..." Miguel Torga